A Telemedicina e Seus Impactos na Profissão Médica

A Telemedicina e Seus Impactos na Profissão Médica

“Já vi muitos colegas dizerem que algumas especialidades vão desaparecer da medicina porque a máquina virá de forma muito mais eficaz. Eu nao acredito nisso, pois acredito que o médico sempre vai ser importante, porque uma coisa é oferecer dados, coletar dados e outra é fazer uma analise real sobre o que está acontecendo ”

 

Dr. Lorenzo Tomé: Temos a honra de conversar com o Doutor Carlos Camargo, médico empreendedor, visionário que traz inovação a todo momento para medicina. Ele Já construiu um hospital, uma empresa de telemedicina e vai explicar tudo isso para a gente.  Carlos, obrigado pela sua participação aqui no Saúde Digital, é um honra tê-lo  aqui.  Conta para a gente um pouquinho da sua história, do seu background.

 

Dr. Carlos Camargo: Eu que agradeço por essa oportunidade de estar podendo trocar informações, principalmente, falar desse lado empreendedor no qual eu tenho muito orgulho durante essa minha carreira. Eu sou médico cardiologista formado há 38 anos e iniciei a minha carreira na cidade do interior de Minas Gerais onde construi um hospital. Então esse lado empreendedor meu já vem desde lá. Participei de construção de sistemas de socorro de ambulâncias em rodovias, e retornando já mais velho  para Campina, eu dei a continuidade e essa minha fase de empreendedorismo. Foi quando eu fundei essa empresa de Telemedicina,  onde  através dela eu enxerguei não só um grande nicho de mercado, como uma grande oportunidade para fazer com que a saúde pudesse evoluir em um  país tão grande,  tão extenso onde há dificuldade em termos médicos,  médicos especialistas ou inclusive até cidades que nem médicos têm e que estão jogadas ao léu. e que não tem oportunidade deste atendimento médico. Nesse período todo que nós estamos trabalhando na medicina, conseguimos enxergar e ver o quanto é importante o resultado dessas inovações para a saúde da população. Pois através dela, por exemplo, nós temos visto em períodos noturnos, que conseguimos dar acesso e conduta para colegas médicos em locais distantes para salvar a vida, por exemplo,  de um paciente com derrame, um pacientes de um infarto ou situações onde ele está com extrema dificuldade de tomar uma conduta, e ele precisa da Verdade do apoio da telemedicina. Creio eu, que é uma inovação das melhores que veio para realmente ajudar a medicina do Brasil

 

Dr. Lorenzo Tomé: Sabemos que o Brasil é um país de dimensões continentais, possui várias regiões e cidades em que o acesso a medicina é bem limitado. Hoje nós temos uma perspectiva que essa carência possa ser atenuada pela Telemedicina. Você acredita nisso?

Dr. Carlos Camargo: Acredito! Desde 2010 para cá, temos acompanhado diversas mudanças na legislação do Conselho Federal de medicina. Mas na verdade nenhuma delas até hoje contemplou uma real mudança para que nós pudéssemos favorecer esses atendimentos a distância. Sabe-se que foram aprovadas mudanças importantes no código de ética médico,  que contempla em um dos seus artigos que a Telemedicina está sendo normalizada para que ela possa ser usada pelos médicos brasileiros. Nós temos uma ideia e uma esperança muito grande que haja um bom senso como existe em outros países, com relação a liberação do atendimento aos médicos junto com seus pacientes, pois isso tem se mostrado um grande benefício não apenas a população, mas também para gestores de hospitais., gestores de planos de saúde, gestores municipais de saúde.

Dr. Lorenzo Tomé: Como você acha que a autorização da prática da Telemedicina vai influenciar na vida do médico?

Dr. Carlos Camargo: Teremos um grande impacto na atividade dos médicos. Na minha opinião esse impacto só trará benefícios ao médico. Pois hoje ele está restrito dentro do seu consultório e há algumas atividades em que ele simplesmente tem que estar diante do seu paciente para lhe trazer uma informação, uma solução,  praticar um retorno de uma consulta, ou a orientação de simples medicações.  A telemedicina vai facilitar esse atendimento direto com o paciente, inclusive aumentando a possibilidade do seus ganhos. Pois muitos médicos hoje passam horas conversando com seus pacientes pelas redes sociais e não recebem para isso. Para aqueles médicos que são mais antigos parece algo difícil, realizar procedimentos através da Telemedicina. Muitos se queixam de como vão fazer o exame físico  para que realizem um diagnóstico no problema em questão. Eu afirmo que isso já está sendo solucionado! Em países como os Estados Unidos já existem moldes e equipamentos que ajudam o médico a fazer escuta cardiológica, visualização através de câmeras de alta resolução, lesões, garganta ouvido, aparelhos de ultrassom que podem transferir imagens e que podem ser analisadas a distância. Então eu creio que vão surgir equipamentos que irão suprir a necessidade de colocar a mão no paciente para realizar um diagnóstico  O atendimento a distância é hoje inevitável, e os médicos terão que se adaptar

Dr. Lorenzo Tomé: Não podemos pensar na Telemedicina como uma melhora da consulta humana ambulatorial, mas sim em outro paradigma. Quando ela começar a funcionar, novas soluções aparecerão, novos estetoscópios, novos termômetros, ou seja, aparelhos mais modernos. Não será o consultório que vai ser melhorado ou piorado com a Telemedicina, estaremos em um novo paradigma, sem volta, que veio para ficar. A tecnologia chega e passar por cima, então podemos entrar nessa discussão e ver o que podemos oferecer. Comente esse ponto de vista.

Dr. Carlos Camargo: Já vi muitos colegas dizerem que algumas especialidades vão desaparecer da medicina porque a máquina virá de forma muito mais eficaz. Eu nao acredito nisso, pois acredito que o médico sempre vai ser importante, porque uma coisa é oferecer dados, coletar dados, e outra é fazer uma analise real sobre o que está acontecendo. Então, às vezes nós temos dados que são parecidos com algumas doenças, mas a conduta é diferente em relação ao que está acontecendo no momento. Então eu jamais acho que o médico deixará de existir. Mas concordo que a ocorrência de novos achados e novas tecnologias está cada vez mais rápida. Nós teremos materiais mais qualificados para coletar dados, mas o grande analisador, vai ser o médico.

Dr. Lorenzo Tomé: Cabe a nós médicos e profissionais de saúde fazer esse raciocínio e buscar. Nós precisamos pensar o novo, não podemos esperar o paciente acabar para mudar a medicina. Vamos pensar como podemos atender o paciente. Nós precisamos vir para esse mundo digital, de comunidades, para tentar buscar soluções. Pois é o que você falou, o médico não vai ser substituído.

Dr. Carlos Camargo: Eu gostaria de citar duas coisas importantes que você falou para valorizar a presença do médico. Quando me formei, como não existia internet, qualquer tipo de informação que um paciente precisava, ele  tinha que procurar um médico ou comprar um livro, não havia outra forma. Então o médico era o centro de tudo. Com o decorrer dos anos e o aparecimento da internet, os paciente começaram a se empoderar, e hoje chegam ao consultório sabendo muito da patologia, de doenças diagnosticadas ou daquelas que eles estão procurando saber se tem. Isso valorizou o médico, pois está fazendo com que o médico estude mais para ter possibilidade de responder perguntas que antes nós não respondiamos, pois eles nao sabia como perguntar. Esse é um fator muito importante no ramo da medicina e nós tivemos que nos adaptar a iso.  

Dr Lorenzo Tomé: Carlos, você tem algum caso para contar, alguma experiência, de algum avanço que você fez na vida de um paciente, após entrar na telemedicina? Algo que te fez decidir que aquele era o caminho, para onde queria seguir enquanto muitos achavam que não era algo que iria para frente.

Dr. Carlos Camargo: Como nós atendemos diagnóstico de eletrocardiogramas de pronto socorros 24 horas, quando eu vejo uma cidade pequena  do Pará, do Acre, me mandar um exame  noturno e eu vejo que é um eletrocardiograma de um infarto e que eu posso imediatamente conversar com o colega, orientar ele na conduta e na manhã seguinte saber que o paciente foi salvo, bem medicado e sem aquela conduta nós não conseguimos salvá-lo, eu acho isso incrível, me dá prazer, uma satisfação de continuar a fazer Telemedicina. Eu sou um verdadeiro amante da Telemedicina, da inovação dela, e acho que isso vai trazer muito recurso porque, para mim que já morou no interior  e conheceu as dificuldades  de pessoas que moram nesse local e tem que ir a uma farmacia e conversar com o balconista  para receber um medicamento. Porque nao a Telemedicina ao invés de conversar com um profissional que não tem o conhecimento adequado para atender o paciente? Nós temos 1800 cidades no Brasil que não possuem médicos nem para receitar uma Aspirina, então estamos falando de uma grande solução que é a Telemedicina.

Dr. Lorenzo Tomé: Para encerrar, você já tem  38 anos na medicina, que dica você deixa para os médicos que estão começando, os estudantes de medicina, para eles possam navegar bem nessa nova economia, saúde 4.0? Qual recado você nos deixa?

Dr. Carlos Camargo: Quando eu saí da faculdade,  nós saímos praticamente crus. Não tinha ninguém para nos informar  como montar um consultório, você enfrentava a vida e começava a trabalhar. Hoje temos muitas facilidades, temos inclusive colegas médicos  prestando orientação financeira, de como montar um consultório, como ele se dar bem, não deixar de pagar seus impostos. Então a primeira coisa que eu acho é que esses colegas, antes de sair da faculdade, devem fazer algum tipo de curso para que eles possam entender como é o mercado  atual, como que funciona o comércio no Brasil.  Ele necessita desse auxílio para realizar um bom negócio na vida dele. Segundo, que ele tenha a oportunidade de realizar sua residência médica, tentar ao máximo fazer atualizações na sua carreira, porque cada vez mais nós recebemos notícias de que os médicos não estão atuando da forma correta devido a deficiência que nós temos hoje de oferecer residência a todos. Eu desejo e acho que os médicos devem procurar se instruir o máximo possível dentro de seus especialidades. Além disso, como nós estamos vivendo em uma era tecnológica, eu creio que todos devem se aproximar desses núcleos que estão informando sobre como vai funcionar  a medicina tecnológica, para que eles se atualizem e não percam tempo em coisas que podem atrasar sua evolução

Dr Lorenzo Tomé: Muito bom Carlos, muito obrigado. O que você falou ai no finalzinho é o propósito do saúde digital, que quer impactar pessoas através da tecnologia e informação, pois nós médicos temos um papel a exercer. Precisamos melhorar nossa imagem com o paciente que está degradada, muito por nossa culpa, porque não podemos culpar o sistemas, precisamos lutar para participar dessa mudança e ter autonomia diante desse cenário. Assino as sua palavras e  agradeço muito por esse bate papo.

 

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