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#27. Xtrafocus: Inovação médica do Brasil para o mundo

Xtrafocus é um dispositivo intraocular criado pelo médico oftalmologista Dr Claudio Trindade. Ele, a partir de seu hobby fotografias, desenvolveu este dispositivo, que é implantado cirurgicamente no segmento anterior do olho do paciente. Você vai entender como ele chegou a essa brilhante inovação que está beneficiando centenas de pessoas no Brasil e no mundo.

ATENÇÃO: AQUI ESTÁ O LINK DE DESCONTO PARA ASSINAR O CANAL SAÚDE DIGITAL ON DEMAND CONFORME DIVULGADO NESTE EPISÓDIO:

https://hotm.art/PODCAST

Este link é valido apenas até o dia 01/05/2019. Caso você queira conhecer o mais como vai funcionar o canal acesse aqui

Você sabe a diferença entre inovação e invenção? A inovação, diferente da invenção,  sempre gera valor para a sociedade, entregando benefícios econômicos, sociais ou culturais.

O Xtrafocus é capaz de devolver a acuidade visual em pacientes que possuem córneas defeituosas. A córnea é a principal lente do olho humando e quando apresenta deformidades forma imagens distorcidas na retina. Claudio Trindade conta aqui no podcast Saúde Digital sua mentalidade empreendedora, como teve o insight para desenvolver o protótipo e como patenteou a inovação.

Atualmente existem cerca de 400 pacientes que se beneficiaram do implante no Brasil e mais 350 pacientes espalhados pelo mundo. Claudio Trindade foi vencedor do prêmio máximo da Sociedade Americana de Catarata e Cirurgia Refrativa, nos Estados Unidos, em 2017. Clique aqui para ver o vídeo da premiação. O implante intraocular esta sendo usado em vários países incluindo EUA, Australia, Alemanha, Argentina e Emirados Arabes.

Conforme citamos no podcast, acesse aqui para ver parte do episódio do Globo Reporter que conta a emocionante história da paciente Elizete Cunha, que recuperou sua visão com o implante XtraFocus em Cirurgia feita pelo Claudio Trindade. Vale a pena assistir. Veja que privilégio e ao mesmo tempo que responsabilidade tem os profissionais que trabalham com a vida humana, que dominam a arte de cuidar.

Deixe-nos saber o que você achou desse episódio. Você tem alguma dica para dar para o Saúde Digital podcast? Quer sugerir um tema? Sua participação é muito importante! Clique aqui para falar conosco.

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Os Benefícios e Riscos das Tecnologias Genômicas

Brincando de Deus II: Os Benefícios e Riscos das Tecnologias Genômicas

Renato Marcos Endrizzi Sabbatini, PhD

 

No artigo anterior desta série, discutimos como está em curso uma poderosa convergência e colaboração entre a biologia molecular, a genômica, a engenharia genética, as tecnologias de informação, principalmente a inteligência artificial e o “big data”, e a medicina. Esta simbiose está provocando um ciclo que se auto-alimenta, e que levará inevitavelmente a taxas de crescimento exponenciais, gerando enormes quantidades de informações e conhecimentos, que serão, cada vez mais, impossíveis de serem completamente entendidas ou dominadas. Com isso, aumentarão dramaticamente os benefícios, mas também diversos riscos para a humanidade, impactando tremendamente os atuais paradigmas sociais, com consequências ainda mais difíceis de prever!

Por exemplo, citamos no artigo anterior como as novas tecnologias de engenharia genética, que trarão enormes benefícios para a medicina, possibilitarão a cura definitiva da maioria das doenças genéticas, herdadas ou adquiridas, de quase todos os tipos de câncer e outras doenças degenerativas, e até de proteção perfeita contra doenças infecciosas severas, como já se comprovou na China, com o HIV. Há cinco anos esse progresso científico, talvez o maior dos últimos 50 anos, estava se desenrolando silenciosamente longe do público, porém a grande divulgação que se deu nas mídias a um cientista chinês que alterou geneticamente os embriões de dois bebês que nasceram recentemente, chamou bruscamente a atenção odo público para essas tecnologias de engenharia genética.

O CRISPR-CaS e outras tecnologias de edição direta do genoma já estão sendo utilizadas experimentalmente em uma gama incrível de doenças, mas não só para elas: poderemos também modificar praticamente qualquer característica fenotípica de embriões saudáveis, como cor dos olhos, cor e tipo de cabelo e da pele, aptidão física, características do sistema nervoso e da mente, como memória e inteligência, o funcionamento do sistema imune (inclusive da eliminação total de alergias e intolerâncias ambientais e alimentares), a resposta individual a drogas e outros tratamentos, e assim por diante. A genômica, aliada à inteligência artificial permitirá o surgimento de uma forma revolucionária de medicina, que ainda está no seu começo, que é a chamada “medicina de precisão”.

Mais esse progresso não para por aí. Uma tecnologia relacionada, chamada “gene drive” (que poderia ser traduzido como “impulsionador de genes”) é um tipo de edição de genes que permite que a alteração nos genes da linha germinal (os gametas produzidos por meiose e que são responsáveis pela reprodução sexual das espécies, como os espermatozoides e óvulos), se propague de forma autônoma e automática pelas várias gerações de um organismo.

Por exemplo, o portador de uma doença genética, como anemia falciforme, não só poderá ser individualmente curado pela manipulação do sistema hematopoiético pelo CRISPR (suas células-tronco somáticas), mas também de todos seus descendentes, em linha vertical. Contudo o “gene drive” vai mais além, pois através dele essa modificação gênica poderá se propagar transversalmente, em um determinado período de tempo, por todos os indivíduos daquela espécie e de suas famílias. Em alguns casos esse propagação pode demorar décadas, dependendo da duração de um ciclo reprodutivo da espécie, mas eventualmente isso ocorrerá, independentemente do sucesso reprodutivo dos indivíduos. Parece ficção científica, como a do filme Gattaca, mas não: é uma técnica que já funciona na prática, e é inacreditavelmente poderosa e de longo alcance, podendo levar a erradicação definitiva de muitas doenças, como aconteceu com a varíola, sem precisar de vacinação em massa.

 

Figura: Com o CRISPR comum, a modificação genética realizada por ele se propaga para parte dos descendentes do organismo modificado. Com o gene drive, ele se propaga para todos os descendentes, eventualmente chegando a ocorrer em todos os indivíduos do grupo,

 

Em suma, estaremos almejando atingir um nível de intervenção em nossa biologia e evolução, como o autor Yuval Harari questiona e provoca em seu impactante livro “Homo Deus”, em algo que nos tornará próximos a uma divindade? Trata-se de uma hipérbole, evidentemente, mas com isso ele quis dizer que a partir do domínio completo sobre o nosso mecanismo gênico, poderemos, inclusive, alterar radicalmente a nossa longevidade. Até agora, mais do que dobramos a expectativa média de vida de boa parte dos terráqueos desde 1930, graças aos avanços da medicina moderna, da alimentação, higiene, vacinação, controle de epidemias, etc. Voltar a dobrar a longevidade por esses meios está fora de questão, não conseguiremos (aliás, na maioria dos países a longevidade média da população está começando a se estabilizar ou até diminuir).

No entanto, especialistas acreditam que isso será possível no futuro com a engenharia genética, o que quer dizer que talvez possamos viver até a provecta idade de 150 anos ou mais! A imortalidade, como muitos especulam, sempre vai ser algo impossível, pois não só a mortalidade por causas externas (acidentes, desastres, suicídios, etc.) passará a ser dominante e não nula, mas também pelo fato de que somos expostos continuamente a fatores ambientais deletérios inevitáveis, como a radiação cósmica, que produz mutações o tempo todo, a não ser que você viva 2.000 metros abaixo da superfície da Terra.

Inevitavelmente, tecnologias ainda mais poderosas, que ainda estão para ser desenvolvidas, nos tornarão senhores do nosso próprio processo de evolução, alcançando em poucas gerações o que demoraria centenas ou milhares de anos, e incontáveis gerações, para atingir.

Mas, infelizmente, como acontece com todas as tecnologias inventadas pelo homem, elas podem ser utilizadas para o mal, voluntaria ou involuntariamente. Os riscos e suas consequências danosas são de várias naturezas, e estão aterrorizando muitos cientistas e legisladores.

A edição de genes, por exemplo. O potencial para o mal é tão assustador que a inventora do CRISPR-Cas9 se viu obrigada a alertar em palestras e artigos quais são os perigos envolvidos. Um grupo de terroristas, ou mesmo uma única pessoa, poderá alterar geneticamente uma bactéria ou vírus conhecido e transformá-la em uma praga muito fácil de produzir, e praticamente impossível de combater e erradicar, como, por exemplo, um vírus do resfriado comum milhares de vezes mais transmissível que as espécies existentes, ou com genes do vírus Ebola, com 100% de mortalidade, tornados transmissível pelo ar. Em pouco tempo uma parcela considerável da humanidade será varrida da face da Terra. A extinção do Homo sapiens será inevitável, como aconteceu com o Homo neanderthalensis. Mas como os próprios perpetradores poderão se proteger da praga? Simples, alterando-se geneticamente para destruir especificamente através dos seus sistemas imunes o vírus modificado causador da doença que eles mesmos produziram!

Mesmo que essas ameaças de bioterrorismo não se concretizem, outra grande ameaça é que alguma modificação genética realizada em laboratório em uma população confinada de vírus, bactérias, plantas ou animais “escape” e se propague de forma incontrolada e rápida. Uma bactéria geneticamente modificada para, digamos, eliminar uma espécie indesejada, como mosquitos transmissores de malária, ou ervas daninhas que afetem fontes de alimento, corre o risco (alto) de sofrer mutações espontâneas e não controladas, e passar a matar outras espécies. O ponto, aqui, é que a evolução pela seleção não deixará de existir: de modos que não conseguimos prever com exatidão ou anular, esses organismos modificados, como na franquia de filmes “Jurassic Park”, sofrerão mutações potencialmente perigosas.

Outros riscos serão de natureza socioeconômica. Qualquer salto grande na longevidade terá consequências devastadoras. Com as pessoas vivendo com perfeita saúde mental e física por 120 a 150 anos, os sistemas previdenciários e de emprego entrarão em colapso: a pirâmide etária será invertida, diminuirá enormemente a proporção de crianças e jovens e a quantidade de empregos disponíveis para eles será mínimo, já que os de maior idade continuarão trabalhando até morrer: a aposentadoria como é praticada hoje, que é baseada na longevidade média, deixará de existir.

Possivelmente o tratamento genético das doenças será tão caro que poucas pessoas poderão desfrutar das mesmas. Um tratamento para neoplasias do sangue recentemente aprovado, por exemplo, chamado CAR-T, pode custar até meio milhão de dólares por pessoa. Assim, é claro que os planos de saúde não serão obrigados a cobrir esses custos, e isso gerará uma desigualdade terrível e difícil de corrigir, a não ser que seja bancado por dinheiro do Estado. O mesmo ocorrerá com uma elite diminuta, que terá o privilégio de planejar seus filhos de modo a produzir descendentes divinamente perfeitos, o que o biólogo evolucionista e padre católico francês Teilhard de Chardin chamou de o “Ponto Gama”, o zênite, o ponto máximo e de perfeição quase divina para uma espécie.

Não parece muito correto, e até perigoso, manipular coisas vivas com essas poderosas tecnologias. Muitos cientistas e especialistas em ética têm proclamado a necessidade de se fazer uma moratória em experimentos com a edição de genes em embriões humanos, principalmente o “gene drive”, que parece ser o mais imprevisível de todos. Em primeiro lugar, o genoma é muito complexo e ainda desconhecido, em parte. O CRISPR-CaS não é tão preciso como se quer apregoar: muitos genes são muito parecidos (às vezes com a diferença de algumas poucas bases, ou o que conhecemos como as quatro letras fundamentais do DNA: A, G, T e C. Assim, os cientistas já descobriram que modificações não desejadas, e até letais, poderão ocorrer nesses locais. Em segundo lugar, soltar um “gene drive” em um ser humano poderá ter consequências incalculáveis, devido à interação complexa que vai ocorrer entre ele e os mecanismos de evolução natural, que continuarão a ocorrer. Espécies inteiras poderão simplesmente desaparecer! E, pior, como existem um grande compartilhamento de genes entre espécies parecidas (por exemplo, comungamos com os ratos cerca de 67% dos nossos genes), o estrago pode se propagar para as mesmas.

Como aconteceu com outras tecnologias perigosas anteriormente, esse tipo de moratória não funciona. Sempre vai alguém conseguir violá-la, com alguma justificativa, e aí todos os grupos na mesma área vão entrar em uma corrida competitiva. Vai ser complicado. Estamos entrando em uma nova área, um terreno ainda largamente desconhecido, mas com gigantesco potencial econômico.

Dá muito o que pensar, não? No próximo artigo falaremos dos benefícios e riscos das tecnologias inteligentes da informação, e como o que poderá acontecer se ocorrer a hibridização entre máquina e gente, entre artificial e natural, a chamada singularidade, e que deve ocorrer ainda neste século.

Para Saber Mais:

 

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#26. Memed, A Startup de Prescrição Digital.

#ep26. Memed, a startup de prescrição digital cofundada por um médico. O Saúde Digital foi conhecer a Memed, uma das startups de saúde no Brasil com maior destaque no mercado, que resolve uma dor real e oferece um produto para um mercado gigante. O bate papo foi com o Rafael Moraes, médico dermatologista e cofundador.

Rafael Moraes termina  sua residência em dermatologia e decide voltar para sua cidade Natal. Avaré, no interior de São Paulo. Abriu um consultório e começou a atender seus pacientes…

Em pouco tempo de trabalho ele percebeu que os representantes de laboratórios farmacêuticos não o visitavam com a frequência e com a competência, que ele gostaria.

Então ele de deparou com o primeiro problema de sua carreira de médico formado. Como eu vou me manter atualizado com a infinidade de medicamentos que são lançados todos os anos? Como eu posso garantir que estou up to date com o melhor para meu paciente? A partir dessa dor real, da sua vivência enquanto médico, ele chamou seus dois irmãos e um primo e disseram.. E se…

E o se virou realidade. Fundaram a MEMED, uma startup de prescrição digital cujo objetivo é garantir que uma receita seja elaborada , emitida e interpretada de maneira 100% correta e segura, eliminando todos os atritos que existem no processo de prescrição.

Em agosto de 2014 ela recebeu sua primeira rodada de investimentos pelo fundo de V C RedPoint Ventures. Em 2015 reecbeu um aporte de investimento de cerca de 500 mil dólares dos fundos  Qualcomm Ventures e Monashees Capital.

Hoje a startup aborda várias frentes da prescrição médica procurando entregar valor para o paciente a partir da facilitação da prescrição pelo médico. Ela possui em sua base mais de 60.000 médicos cadastrados. O serviço é totalmente gratuito para o médico e para o paciente.  Ela também está investindo em integrações com os prontuários eletrônicos de hospitais e clínicas.

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CRM – Customer Relationship Management

#EP 25. CRM – Customer Relationship Management . Você vai entender nesse episódio como o hospital 9 de  Julho , que fica na cidade de São Paulo , está melhorando a experiência do paciente e os desfechos em saúde a partir de uma tecnologia que é capaz de engajar o médico, medir objetivamente os indicadores de qualidade, a eficiência dos procedimentos e  as consultas médicas, bem como avaliar  o resultado de cada profissional da medicina.

O bate papo foi com o Vinicius Almeida, gerente de CRM do hospital 9 de Julho.

Essa tecnologia é o CRM ou  Customer Relationship Management um software que integra varios dados coletados pelo serviço, estabelece e define indicadores e através de inteligência artificial consegue sugerir ações para melhorar a experiência do cliente, de maneira personalizada e indivudalizada.

O CRM já é largametne utilizado no varejo, no e-comerce e agora está chegando ao setor de saúde.

Ele tem sido utilizado para melhorar a experiência do paciente, levando informações e condutas personalizadas para o problema de saúde dele. Por exemplo, se o paciente tem diabetes, o serviço de saúde que opera com um CRM é capaz de “alimentar” esse paciente com conteúdo específico sobre diabetes, oferecer dicas de alimentação, informar sobre o horário de uso dos medicamentos, enviar os exames periódicos direto para o e-mail do paciente,  agendar a consulta de retorno nos intervalos recomendados, abrir um canal de comunicação entre o hospital  ou médico  diretamente com paciente em casos de intercorrências. Tudo isso resulta em melhorias na comunicação, agilizando as ações, reduzindo desperdício de tempo e de dinheiro!

Essa tecnologia do CRM já chegou também nos hospitais para melhorar a experiência do médico que faz parte do corpo clínico, que é um dos principais stakeholders do hospital, proporcionando engajamento e fidelização do médico ao corpo clínico. Oferece também transparência para as informações geradas durante toda a jornada do paciente dentro do hospital, avaliando objetivamente, com dados e informações concretas, a produtividade do médico e a qualidade dos serviços prestados pelo médico.

Então gera-se um ambiente ganha-ganha onde o paciente é beneficiado devido o alto profissionalismo da instituição, os médicos que prestam um serviço de qualidade são valorizados e recebem bonificações e gratificações e o hospital por sua vez consegue fidelizar os principais stakeholders : a operadora, o médico e o paciente.

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Empreendedorismo e Biotecnologia

#Ep 24. Empreendedorismo e biotecnologia para médicos e profissionais de saúde. Como você médico, você profissional de saúde, tem lidado com esses temas?

Conversamos com Denise Golgher, uma cientista com doutorado no hospital John Hopkins e Pós-doutorado em Oxford. Atualmente, ela atua com projetos de consultoria conectando a academia ao mercado de saúde.

Ela publicou recentemente um artigo na Nature Biotech denominado Breaking Throught asfalt: The private sector takes the lead in biomedical innovation in Brazil descrevendo o cenário brasileiro em relação às inovações tecnológicas em Saúde e Life Science

Neste episódio, você vai conhecer porque o médico e demais profissionais que trabalham em saúde impactam positivamente o mercado quando empreendem. Também vai saber como o Brasil está aumentando suas inovações em biotecnologia, a partir de um crescente número de investidores anjos e de fundos de venture capital neste nicho.

O empreendedorismo é uma eterna luta entre o medo do empreendedor e a vontade de empreender. Quando o empreendedor vence o medo ele empreende! Temos medo de empreender em um país cheio de impostos, com uma legislação trabalhista defasada e enviesada, temos medo de empreender porque neste país ganhar dinheiro é malvisto pela maioria das pessoas.

O problema é quando este medo nos paralisa e apaga a nossa vontade. Quando passamos boa parte da nossa juventude economicamente ativa, uma época em que podemos assumir riscos maiores, e ficamos acomodados, acostumados com um tipo de trabalho que não faz nossos olhos brilharem, que não nos permite sonhar grande porque o entusiasmo e a vontade de mudar não fazem parte da nossa vida.

Se você está nesta situação, o que eu tenho para te dizer é o seguinte: caso tenha medo de alguma coisa, tenha medo de ficar parado, de não tentar, de não experimentar!


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A Telemedicina e Seus Impactos na Profissão Médica

A Telemedicina e Seus Impactos na Profissão Médica

“Já vi muitos colegas dizerem que algumas especialidades vão desaparecer da medicina porque a máquina virá de forma muito mais eficaz. Eu nao acredito nisso, pois acredito que o médico sempre vai ser importante, porque uma coisa é oferecer dados, coletar dados e outra é fazer uma analise real sobre o que está acontecendo ”

 

Dr. Lorenzo Tomé: Temos a honra de conversar com o Doutor Carlos Camargo, médico empreendedor, visionário que traz inovação a todo momento para medicina. Ele Já construiu um hospital, uma empresa de telemedicina e vai explicar tudo isso para a gente.  Carlos, obrigado pela sua participação aqui no Saúde Digital, é um honra tê-lo  aqui.  Conta para a gente um pouquinho da sua história, do seu background.

 

Dr. Carlos Camargo: Eu que agradeço por essa oportunidade de estar podendo trocar informações, principalmente, falar desse lado empreendedor no qual eu tenho muito orgulho durante essa minha carreira. Eu sou médico cardiologista formado há 38 anos e iniciei a minha carreira na cidade do interior de Minas Gerais onde construi um hospital. Então esse lado empreendedor meu já vem desde lá. Participei de construção de sistemas de socorro de ambulâncias em rodovias, e retornando já mais velho  para Campina, eu dei a continuidade e essa minha fase de empreendedorismo. Foi quando eu fundei essa empresa de Telemedicina,  onde  através dela eu enxerguei não só um grande nicho de mercado, como uma grande oportunidade para fazer com que a saúde pudesse evoluir em um  país tão grande,  tão extenso onde há dificuldade em termos médicos,  médicos especialistas ou inclusive até cidades que nem médicos têm e que estão jogadas ao léu. e que não tem oportunidade deste atendimento médico. Nesse período todo que nós estamos trabalhando na medicina, conseguimos enxergar e ver o quanto é importante o resultado dessas inovações para a saúde da população. Pois através dela, por exemplo, nós temos visto em períodos noturnos, que conseguimos dar acesso e conduta para colegas médicos em locais distantes para salvar a vida, por exemplo,  de um paciente com derrame, um pacientes de um infarto ou situações onde ele está com extrema dificuldade de tomar uma conduta, e ele precisa da Verdade do apoio da telemedicina. Creio eu, que é uma inovação das melhores que veio para realmente ajudar a medicina do Brasil

 

Dr. Lorenzo Tomé: Sabemos que o Brasil é um país de dimensões continentais, possui várias regiões e cidades em que o acesso a medicina é bem limitado. Hoje nós temos uma perspectiva que essa carência possa ser atenuada pela Telemedicina. Você acredita nisso?

Dr. Carlos Camargo: Acredito! Desde 2010 para cá, temos acompanhado diversas mudanças na legislação do Conselho Federal de medicina. Mas na verdade nenhuma delas até hoje contemplou uma real mudança para que nós pudéssemos favorecer esses atendimentos a distância. Sabe-se que foram aprovadas mudanças importantes no código de ética médico,  que contempla em um dos seus artigos que a Telemedicina está sendo normalizada para que ela possa ser usada pelos médicos brasileiros. Nós temos uma ideia e uma esperança muito grande que haja um bom senso como existe em outros países, com relação a liberação do atendimento aos médicos junto com seus pacientes, pois isso tem se mostrado um grande benefício não apenas a população, mas também para gestores de hospitais., gestores de planos de saúde, gestores municipais de saúde.

Dr. Lorenzo Tomé: Como você acha que a autorização da prática da Telemedicina vai influenciar na vida do médico?

Dr. Carlos Camargo: Teremos um grande impacto na atividade dos médicos. Na minha opinião esse impacto só trará benefícios ao médico. Pois hoje ele está restrito dentro do seu consultório e há algumas atividades em que ele simplesmente tem que estar diante do seu paciente para lhe trazer uma informação, uma solução,  praticar um retorno de uma consulta, ou a orientação de simples medicações.  A telemedicina vai facilitar esse atendimento direto com o paciente, inclusive aumentando a possibilidade do seus ganhos. Pois muitos médicos hoje passam horas conversando com seus pacientes pelas redes sociais e não recebem para isso. Para aqueles médicos que são mais antigos parece algo difícil, realizar procedimentos através da Telemedicina. Muitos se queixam de como vão fazer o exame físico  para que realizem um diagnóstico no problema em questão. Eu afirmo que isso já está sendo solucionado! Em países como os Estados Unidos já existem moldes e equipamentos que ajudam o médico a fazer escuta cardiológica, visualização através de câmeras de alta resolução, lesões, garganta ouvido, aparelhos de ultrassom que podem transferir imagens e que podem ser analisadas a distância. Então eu creio que vão surgir equipamentos que irão suprir a necessidade de colocar a mão no paciente para realizar um diagnóstico  O atendimento a distância é hoje inevitável, e os médicos terão que se adaptar

Dr. Lorenzo Tomé: Não podemos pensar na Telemedicina como uma melhora da consulta humana ambulatorial, mas sim em outro paradigma. Quando ela começar a funcionar, novas soluções aparecerão, novos estetoscópios, novos termômetros, ou seja, aparelhos mais modernos. Não será o consultório que vai ser melhorado ou piorado com a Telemedicina, estaremos em um novo paradigma, sem volta, que veio para ficar. A tecnologia chega e passar por cima, então podemos entrar nessa discussão e ver o que podemos oferecer. Comente esse ponto de vista.

Dr. Carlos Camargo: Já vi muitos colegas dizerem que algumas especialidades vão desaparecer da medicina porque a máquina virá de forma muito mais eficaz. Eu nao acredito nisso, pois acredito que o médico sempre vai ser importante, porque uma coisa é oferecer dados, coletar dados, e outra é fazer uma analise real sobre o que está acontecendo. Então, às vezes nós temos dados que são parecidos com algumas doenças, mas a conduta é diferente em relação ao que está acontecendo no momento. Então eu jamais acho que o médico deixará de existir. Mas concordo que a ocorrência de novos achados e novas tecnologias está cada vez mais rápida. Nós teremos materiais mais qualificados para coletar dados, mas o grande analisador, vai ser o médico.

Dr. Lorenzo Tomé: Cabe a nós médicos e profissionais de saúde fazer esse raciocínio e buscar. Nós precisamos pensar o novo, não podemos esperar o paciente acabar para mudar a medicina. Vamos pensar como podemos atender o paciente. Nós precisamos vir para esse mundo digital, de comunidades, para tentar buscar soluções. Pois é o que você falou, o médico não vai ser substituído.

Dr. Carlos Camargo: Eu gostaria de citar duas coisas importantes que você falou para valorizar a presença do médico. Quando me formei, como não existia internet, qualquer tipo de informação que um paciente precisava, ele  tinha que procurar um médico ou comprar um livro, não havia outra forma. Então o médico era o centro de tudo. Com o decorrer dos anos e o aparecimento da internet, os paciente começaram a se empoderar, e hoje chegam ao consultório sabendo muito da patologia, de doenças diagnosticadas ou daquelas que eles estão procurando saber se tem. Isso valorizou o médico, pois está fazendo com que o médico estude mais para ter possibilidade de responder perguntas que antes nós não respondiamos, pois eles nao sabia como perguntar. Esse é um fator muito importante no ramo da medicina e nós tivemos que nos adaptar a iso.  

Dr Lorenzo Tomé: Carlos, você tem algum caso para contar, alguma experiência, de algum avanço que você fez na vida de um paciente, após entrar na telemedicina? Algo que te fez decidir que aquele era o caminho, para onde queria seguir enquanto muitos achavam que não era algo que iria para frente.

Dr. Carlos Camargo: Como nós atendemos diagnóstico de eletrocardiogramas de pronto socorros 24 horas, quando eu vejo uma cidade pequena  do Pará, do Acre, me mandar um exame  noturno e eu vejo que é um eletrocardiograma de um infarto e que eu posso imediatamente conversar com o colega, orientar ele na conduta e na manhã seguinte saber que o paciente foi salvo, bem medicado e sem aquela conduta nós não conseguimos salvá-lo, eu acho isso incrível, me dá prazer, uma satisfação de continuar a fazer Telemedicina. Eu sou um verdadeiro amante da Telemedicina, da inovação dela, e acho que isso vai trazer muito recurso porque, para mim que já morou no interior  e conheceu as dificuldades  de pessoas que moram nesse local e tem que ir a uma farmacia e conversar com o balconista  para receber um medicamento. Porque nao a Telemedicina ao invés de conversar com um profissional que não tem o conhecimento adequado para atender o paciente? Nós temos 1800 cidades no Brasil que não possuem médicos nem para receitar uma Aspirina, então estamos falando de uma grande solução que é a Telemedicina.

Dr. Lorenzo Tomé: Para encerrar, você já tem  38 anos na medicina, que dica você deixa para os médicos que estão começando, os estudantes de medicina, para eles possam navegar bem nessa nova economia, saúde 4.0? Qual recado você nos deixa?

Dr. Carlos Camargo: Quando eu saí da faculdade,  nós saímos praticamente crus. Não tinha ninguém para nos informar  como montar um consultório, você enfrentava a vida e começava a trabalhar. Hoje temos muitas facilidades, temos inclusive colegas médicos  prestando orientação financeira, de como montar um consultório, como ele se dar bem, não deixar de pagar seus impostos. Então a primeira coisa que eu acho é que esses colegas, antes de sair da faculdade, devem fazer algum tipo de curso para que eles possam entender como é o mercado  atual, como que funciona o comércio no Brasil.  Ele necessita desse auxílio para realizar um bom negócio na vida dele. Segundo, que ele tenha a oportunidade de realizar sua residência médica, tentar ao máximo fazer atualizações na sua carreira, porque cada vez mais nós recebemos notícias de que os médicos não estão atuando da forma correta devido a deficiência que nós temos hoje de oferecer residência a todos. Eu desejo e acho que os médicos devem procurar se instruir o máximo possível dentro de seus especialidades. Além disso, como nós estamos vivendo em uma era tecnológica, eu creio que todos devem se aproximar desses núcleos que estão informando sobre como vai funcionar  a medicina tecnológica, para que eles se atualizem e não percam tempo em coisas que podem atrasar sua evolução

Dr Lorenzo Tomé: Muito bom Carlos, muito obrigado. O que você falou ai no finalzinho é o propósito do saúde digital, que quer impactar pessoas através da tecnologia e informação, pois nós médicos temos um papel a exercer. Precisamos melhorar nossa imagem com o paciente que está degradada, muito por nossa culpa, porque não podemos culpar o sistemas, precisamos lutar para participar dessa mudança e ter autonomia diante desse cenário. Assino as sua palavras e  agradeço muito por esse bate papo.

 

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A Telemedicina e seus impactos

#Ep 23. A telemedicina está prestes a ser regulamentada e legalizada no Brasil. Para entendermos mais sobre os impactos e consequências dessa tecnologia para o médico, pacientes e demais stakeholders da saúde convidamos o médico Carlos Camargo, cardiologista, empreendedor e visionário, fundador da Brasil Telemedicina, que desde 2010 já presta serviços de diagnósticos a distância e agora está se preparando para oferecer consultas remotas, conectando o médico com o paciente via dispositivos digitais.

Você vai entender quais são as perspectivas da telemedicina no Brasil, como funciona essa tecnologia nos países desenvolvidos, quais são os benefícios para o sistema de saúde e qual será o papel do médico diante desta inovação que está chegando no Brasil.

Atualmente, os órgãos reguladores brasileiros, principalmente o Conselho Federal de Medicina, não autoriza nenhuma forma de atendimento médico intermediado por dispositivos eletrônicos. O que é permitido é a análise de exames a distância, a teleconsultoria e a segunda opinião médica. Em todos esses casos, existem profissionais médicos nas duas pontas.

Porém, deve ser liberado nos próximos meses a consulta médica síncrona remota, ou seja, o paciente poderá consultar seu médico diretamente, através de dispositivos digitais e receber dele a conduta apropriada como prescrição médica, encaminhamentos e tratamentos. Isto, sem dúvida nenhuma, é um enorme avanço no ato médico, igualando o Brasil aos países desenvolvidos que já usam esse recurso.

E como nós, médicos, vamos lidar com esses avanços? Como podemos nos preparar para responder a demanda do paciente digital?

Acompanhe tudo isso aqui no podcast do Saúde Digital e fique por dentro do que vêm por ai!


E, claro, não deixe também de deixar seu comentário aqui sobre o que achou do tema e deste podcast! Sentiu falta de algum tema por aqui? Clique agora para deixar a sua sugestão !

Música usada no episódio:

https://youtu.be/5WPnrvEMIdo

Ecossistema de Inovação e Startups no Brasil e no Mundo

Ecossistema de inovação e startups: um mapa do Brasil e do mundo!

Fomos até a Fundação Getúlio Vargas e conversamos com o professor Gilberto Sarfati, economista de formação, consultor, coordenador do mestrado profissional da GV e da incubadora GVentures. Você vai entender como está o ecossistema de inovação no Brasil, qual é a definição de startups segundo a OCDE, como funciona as rodadas de investimentos nos negócios nascentes, quais as características necessárias para uma empresa atrair investidores e muito mais!

A definição da palavra ecossistema é: sistema que inclui os seres vivos e o ambiente, com suas características físico-químicas e as inter-relações entre ambos.

E o nosso ecossistema de inovação? Tem a ver com essa definição clássica, emprestada da biologia? A resposta é sim! O inter-relacionamento de pessoas, com diferentes conhecimentos e competências, alocados em um ambiente físico que ofereça as condições ideais para o desenvolvimento de novos produtos e serviços é a receita perfeita para a inovação!

Venha com a gente inovar? Tem uma ideia? Será um prazer discutir ela com você, não deixe de entrar em contato! E, claro, não deixe também de dar o seu feedback sobre este e nossos outros podcasts! Quais temas vocês gostariam de ver por aqui?

Música do episódio: https://youtu.be/FqQJKeti-TE

Você sabe o que é um Pitch Deck?

#Ep. 21. Você sabe o que é um Pitch Deck? Como se fazer um bom Pitch? O Saúde Digital te ajuda nessa tarefa!

Estive presente no II Encontro internacional de Empreendedorismo e Inovação em Saúde, promovido pelo Hospital Albert Einstein – um evento imperdível! Quem ainda não conhece, fique atento para não perder a próxima edição.

Para nos motivar e nos inspirar, conversei com empreendedores de saúde, também conhecidos como founders, no jargão das startups, gente igual a você e eu. Eles decidiram tirar a ideia do papel para mudar o mundo. Se eles podem, eu e você também podemos!

Você vai ouvir na prática o que é um Pitch! O pitch, que vem do inglês arremesso, é a maneira que o empreendedor apresenta seu negócio, em um curto espaço de tempo, para atrair a atenção do potencial cliente ou de um investidor.

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Música do ep:

https://youtu.be/gZlDn4EmTvo

 

Autor: Lorenzo Tomé

Brincando de Deus: a nova convergência entre biologia molecular, medicina e tecnologia da informação

Brincando de Deus: a nova convergência entre biologia molecular, medicina e tecnologia da informação

Por: Prof.Dr. Renato M.E. Sabbatini

Se os futurologistas estiverem certos, estamos entrando em um novo período revolucionário de mudanças da espécie humana, equivalente à invenção do fogo, da imprensa, da máquina a vapor, do computador e da Internet. E não é exagero afirmar isso, como você verá a seguir.

Esse período ainda está no seu início, mas já mostra os elementos que estão convergindo poderosamente para torná-lo realidade. Mais ainda, seu crescimento é exponencial, com uma velocidade assustadora, com a qual a ética, a moral, a justiça, a economia, e tantos outros pilares da sociedade no qual nossa existência segura tem sido baseada até agora, passarão por extensas e duradouras mudanças.

E quais são os elementos dessa convergência? Em primeiro lugar, temos o rápido avanço da biologia molecular, especialmente a biotecnologia, ou seja, a aplicação dos nossos conhecimentos recém-adquiridos sobre o genoma humano, e todas as “ômicas” associadas, como epigenômica, exposômica, transcriptômica, metabolômica, proteômica, etc. Afinal, não faz nem 20 anos que a ciência conseguiu decodificar um genoma humano completo, ao custo de bilhões de dólares, fruto do esforço de vários países e milhares de cientistas, ao longo de oito anos. Atualmente, é possível decodificar um exoma completo (os 22.000 genes humanos, aproximadamente, que codificam proteínas) em apenas algumas horas, ao custo de menos de mil dólares! Esses avanços possibilitaram o desenvolvimento de técnicas de engenharia genética, ou seja, a possibilidade de “brincarmos de Deus”, como escrevi em um artigo há exatos 20 anos, modificando o nosso genoma de inúmeras maneiras, algumas boas, outras possivelmente bastante danosas. A medicina, sem dúvida, será a mais afetada por essas grandes mudanças, através de duas tendências principais, a medicina translacional, que é a aplicação dessas descobertas fundamentais em nível celular e subcelular ao diagnóstico e tratamento das doenças, e a medicina de precisão, que permite tratar pacientes de acordo com o seu perfil individual.

A mais revolucionária dessas técnicas é a CRISPR-Cas, que é uma forma bastante acessível, tecnicamente, ráida e barata, de “editar” os genes de uma célula somática ou germinal, inclusive de embriões humanos pré-implantação, como um cientista chinês recentemente alegou ter conseguido. O CRISPR é uma “invenção” natural, um mecanismo desenvolvido pela evolução de bactérias para desativar certos vírus que as infectem, como os plasmídeos, ou seja, uma espécie de “sistema imune” primitivo dos procariotos. Consiste em uma molécula de RNA com a sequência de bases complementar a um segmento do genoma do vírus. Ao procurar e ligar-se a essa sequência do DNA do vírus, como um alvo específico, uma enzima, a CaS9, corta precisamente o DNA nesse ponto, inativando-o, mas pode ser também usada para inserir uma nova sequência depois do DNA, que é fechado por outra enzima, uma endonuclease, tornando-o ativo na célula, seja para o que for.

 

Entre seus inúmeros usos, a tecnologia CRISPR poderá consertar um único gene mutante defeituoso, responsável por uma doença, como na Coréia de Huntington ou anemia falciforme (ou até, no futuro, múltiplos genes, como no diabetes ou Doença de Alzheimer), inserir genes extras para sintetizar mais proteínas que estão em falta (como na síndrome de Rett em meninas), ligar ou desligar determinadas cadeias metabólicas deletérias, e até alterar genes normais em embriões (“designer embryos”), com cor dos olhos, ou modificar a resistência a doenças, produzir linfócitos capazes de aniquilar um câncer, e muito mais. Também poderá eventualmente usado para produzir super-humanos (com olhos de águia, por exemplo, ou um QI de 180). As aplicações de CRISPR/Cas estão se multiplicando rapidamente: já em 2016, cientistas curaram um defeito genético que causa a retinite pigmentosa usando a edição CRISPR/Cas9 em células-tronco pluripotentes induzidas derivadas de um paciente com a doença. O potencial médico, portanto, é gigantesco.

A perspectiva mais impactante, no entanto, é o uso dessas e de outras técnicas mais avançadas de engenharia genética para modificar as células germinais (óvulos e/ou espermatozoides, ou suas células precursoras na gametogênese), de tal modo que as modificações serão herdadas por todos os descendentes do ser humano modificado! Isso acrescenta ao caldo já eticamente explosivo, a possibilidade de produzirmos no futuro novas espécies humanas e animais, divergentes, e incapazes de se reproduzirem com o Homo sapiens atual.

Como tudo isso foi possível? Aqui entra o segundo elemento da convergência, a tecnologia digital de informação. A decodificação genômica, a síntese de nucleotídeos e de proteínas, as técnicas recombinantes de DNA que tornaram possível tantas novas drogas de combate a doenças previamente incuráveis, só foram desenvolvidas com o apoio imprescindível dos computadores. As “bibliotecas” de bases do DNA e RNA, e de aminoácidos são extensas e complexas, e as técnicas para desvendá-las e armazená-las dependem de computação pesada (“big data”). Para se ter uma ideia desse volume, atualmente o GenBank, o maior repositório de sequências decodificadas do planeta, abrangendo já milhares de espécies de plantas, animais, bactérias e vírus, já atingiu mais de 300 bilhões de pares de bases e cresce à razão de 15% por ano. A descoberta de sequências específicas, através de metodologias de comparação, exige computação paralela a velocidades que não existiam praticamente há apenas uma década, e que continuarão crescendo, principalmente com o surgimento dos computadores quânticos, capazes de velocidades verdadeiramente vertiginosas.

 

Os equipamentos de decodificação e síntese também evoluíram com a aplicação de computação de alto desempenho e a chamada NGS (“Next Generation Sequencing”). Uma máquina automática de decodificação como a Illumina, HiSeq X Tem, por exemplo, é capaz de decodificar 10 a 20 genomas completos por dia, a um custo de 10 milhões de dólares por máquina. Algumas empresas têm fileiras e mais fileiras dessas máquinas caríssimas em paralelo. Novos equipamentos, ainda mais baratos (“Sequencing for the Masses”, como tem sido anunciado) surgirão, ao ponto de ocuparem o espaço de um pequeno livro e serem adquiridos por laboratórios convencionais como periféricos de smartphones!

Finalmente, o degrau mais espantoso que já estamos subindo, é o acoplamento das técnicas de computação cognitiva, como Inteligência Artificial (AI), aprendizado de máquina (ML) e redes neurais artificiais (DL – Deep Learning, que imitam o funcionamento do cérebro humano), que têm o potencial de provocar uma revolução tão profunda, que sequer temos como imaginar. Ferramentas como essas já são capazes de explorar e gerar candidatos de novas drogas, baseadas em aprendizado de máquina, à razão de dezenas de milhares por hora, encurtando de anos para meses o período de desenvolvimento na primeira fase. A aplicação da AI e ML no diagnóstico de doenças poligênicas complexas, e na descoberta científica automática de relações gene-ambiente-doença também serão grandemente alavancadas.

Em suma, estamos vivendo um período fascinante da história humana, em que na próxima década veremos a medicina ser transformada radicalmente por essa parceria entre biologia molecular, medicina translacional e de precisão, e computação cognitiva! As faculdades de medicina e os cursos de residência precisam urgentemente se adaptar aos novos tempos, pois muito pouco dessa nova revolução está sendo ensinada para os médicos do futuro, que usarão essas ferramentas em nível muito maior do que agora.

Para nós, que somos da área médica, só conseguimos enxergar benefícios para essa convergência. Mas não é bem assim. Consequências inesperadas poderão até levar à nossa extinção como espécie, como têm alertado vários autores, como o genial físico Stephen Hawking. Por isso, em um próximo artigo discutiremos as dimensões da bioética relacionadas a essas novas tecnologias, e as ameaças que elas podem representar, como o aumento da letalidade de vírus comuns, através da engenharia genética, com intuitos terroristas.

Sobre o autor

O Prof. Renato Marcos Endrizzi Sabbatini, graduado e doutorado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, em fisiologia humana, neurociências e computação aplicada à medicina, é um dos pioneiros latinoamericanos nessa área, tendo completado 50 anos de atividade profissional, a maior parte dedicado à pesquisa cientifica e ensino na USP e também na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde fundou, em 1983, um dos primeiros e maiores centros de pesquisa em TI em saúde, o Núcleo de Informática Biomédica e foi docente do Departamento de Genética Médica. O Prof. Sabbatini é um dos 100 acadêmicos mais influentes do mundo, como membro eleito fundador da International Academy of Health Sciences Informatics (IAHSI) e atua como renomado consultor técnico-científico para empresas altamente inovadoras em tecnologias em saúde. Homepage: www.renato.sabbatini.com