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Comunicação na medicina: o que esperar do mundo pós-pandemiaDe um lado, a medicina como um dos campos do conhecimento humano mais impactados pela transformação digital. De outro, a classe médica brasileira mostrando resistência corporativa a inovações tecnológicas como a telemedicina. Uma das consequências dessa dicotomia é o interesse cada vez maior de profissionais de outras áreas que, ao perceber essa carência de cultura digital, exploram com sucesso nichos de atuação na saúde ainda pouco saturados.

É o caso da jornalista Natália Cuminale, diretora de conteúdo e CEO do Futuro da Saúde, um hub de conteúdo digital dividido em três linhas editoriais: Sua Saúde, Inovação e Saúde Mental. Jornalista com carreira construída sobretudo na revista Veja, para a qual cobriu, por 10 anos, a área da saúde, Natália participou de diversos eventos e congressos médicos e se apaixonou pelo assunto. 

“Em setembro do ano passado (2019) eu resolvi sair da Veja porque acreditava que dava para fazer mais. Eu acreditava que faltava um veículo para aprofundar temas, um espaço para explicar melhor os assuntos e se comunicar com as pessoas. Então fundei o Futuro da Saúde”, conta ela.

Brasil sofre com falta de cultura digital tanto do médico quanto do paciente

Antes da saída de Veja, uma de suas últimas reportagens foi matéria de capa da revista. O assunto: telemedicina. Com base em suas conversas com inúmeras fontes, Natália constatou que muitas empresas de inovação já estão investindo em telemedicina, mas ainda há um campo enorme a ser desenvolvido no Brasil, principalmente em razão da fraca cultura digital tanto do médico quanto do paciente.

Uma das consequências dessa defasagem foi a evolução à fórceps imposta pelas dificuldades criadas pela pandemia do coronavírus. Muitos médicos que eram relutantes viram na telemedicina uma solução contra a queda vertiginosa nas consultas presenciais a partir do segundo trimestre de 2020. 

Comunicação na medicina: o que esperar do mundo pós-pandemia  – Tendência de momento em relação à telemedicina é favorável

Natália entrevistou recentemente o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Donizetti Dimer Giamberardino Filho, sobre a nova resolução que a entidade de classe está preparando para a telemedicina. Apesar de alguns ajustes ainda serem necessários, como aparar arestas com convênios e planos de saúde, além de questionamentos sobre o uso da tecnologia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tendência de momento em relação à telemedicina está bem mais favorável. 

Para Natália, chama a atenção uma característica da medicina que podemos considerar paradoxal. Enquanto médicos são profissionais naturalmente interessados em ciência e nas novidades em relação a tratamentos, equipamentos e medicamentos, a medicina, por si mesma, é uma profissão tradicional, com entidades de classe regionais conservadoras a mudanças de comportamento no relacionamento com o paciente. 

“A pandemia veio para quebrar todas as restrições. Eu acho que tem uma nova geração que está muito disposta à transformação”, diz ela. De acordo com estimativas, a pandemia chegou a provocar queda de 70% do faturamento em hospitais, clínicas e consultórios médicos.

Trabalho remoto e o equilíbrio necessário com as atividades presenciais

Sobre o mundo pós-pandemia, Natália ressalta que qualquer previsão no momento é arriscada. Em relação ao trabalho remoto, por exemplo, a sensação é de que já há uma contra reação, no sentido equilibrar os dois lados da moeda. 

Embora tenha sido provado na pandemia que o home office reduz custos e tempo sem prejuízo da produtividade, o ambiente corporativo também tem suas vantagens, como a socialização com colegas e a consequente troca de conhecimentos, ideias e percepções.   

Natália cita outra entrevista recente na qual uma médica neurologista chamou sua atenção para o fato de que a interação apenas por meio da tela do celular ou notebook é mais cansativa para o cérebro do que as relações presenciais. 

A jornalista conta que sentiu isso na prática ao cobrir um congresso realizado durante a pandemia de forma inteiramente virtual. 

Comunicação na medicina: o que esperar do mundo pós-pandemia  – Para o cérebro, interação exclusivamente virtual não é 100% saudável

“Pensei que seria tranquilo fazer a cobertura porque seriam várias mesas virtuais e você está dentro da sua casa: pode levantar, tomar uma água. Só que é diferente. Quando você faz essa cobertura do congresso presencialmente, você para, olha para o lado, levanta para tomar um café, bate um papo. Então, para o nosso cérebro, essa interação exclusivamente virtual não é 100% saudável”, diz a jornalista.

Aliás, por trabalhar profissionalmente com comunicação, Natália reforça aos médicos a importância de se fazer entender. “Se as pessoas não entendem o que a gente está falando, elas não se engajam e não mudam. Então se o médico quiser que o paciente se engaje no tratamento, que ele tome a medicação correta, que mude a dieta, precisa se comunicar melhor e assim também melhorar a relação com o paciente”, afirma.

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