Saia da bolha para se manter relevante no mundo digital – No livro A Estratégia do Oceano Azul, clássico do empreendedorismo lançado em 2004, os autores W. Chan Kim e Renée Mauborgne defendem que as empresas precisam evitar águas turvas e turbulentas, ou seja, já saturadas de competidores. A receita do sucesso — na visão do sul-coreano e da americana, ambos professores de estratégia do Instituto Europeu de Administração de Empresas (INSEAD) — é desenvolver proposta de valor inovadora para públicos que ainda não obtiveram as suas necessidades atendidas.
Mas para isso é preciso conhecer bem o público-alvo e saber quais necessidades são essas. Tarefa que muitas vezes implica pisar em território desconhecido. Sair da bolha e tomar contato com pessoas, grupos e realidades distintas é uma das bandeiras de Leonardo Gross, que se descreve como mercadólogo e empreendedor serial na área de saúde.
Uma história diferente que resultou em projetos que realmente importam
Filho de pai branco e mãe negra, Leonardo enxerga na diversidade de histórias de vida, de experiências e de habilidades, o caminho mais promissor e lucrativo na aplicação eficaz e eficiente das soluções tecnológicas para os problemas que realmente importam.
Ele é formado em marketing pela Universidade Metodista de São Paulo, curso concluído em 2008. Depois Gross fez MBA na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialização internacional na Ohio State University, nos Estados Unidos.
Leonardo Gross fundou a Digital Health Works, portal que disponibiliza opiniões de profissionais e acadêmicos da área de saúde, incluindo artigos, podcasts, vídeos e entrevistas. Atualmente, ele é líder de soluções digitais para América Latina na área de healthcare da multinacional General Electric, além de mentor em iniciativas de empreendedorismo da Agência de Inovação da Universidade de Campinas.
Saia da bolha para se manter relevante no mundo digital – Ser empreendedor é ir ao encontro do que você acredita
Para Gross, ser empreendedor é ir ao encontro do que você acredita. “Nunca me vi simplesmente vendendo um produto. Sempre quis entender que valor era esse, porque era importante, etc”, diz ele, destacando que essa visão ajuda a evitar algo que ocorre com frequência em empresas pioneiras, que é o fato de se acomodar e perder o traquejo da inovação, deixando assim de ser vanguarda na transformação digital.
Por isso é importante que todos os setores de uma companhia, dos responsáveis por pricing, compliance e finanças aos gestores de produto, serviço e vendas, percebam a si mesmos como facilitadores da transformação digital, sob o risco de, ao se portar dessa maneira, perder o bonde da quarta revolução industrial, como o alemão Klaus Schwab, diretor e fundador do Fórum Econômico Mundial, chama os tempos atuais.
Construindo a jornada com o cliente sem certezas pré concebidas
“O grande desafio desses profissionais, enquanto facilitadores do processo de transmutação digital, é ser mais ágeis, precisos e buscar efetiva ressonância com o mercado. É não ter tantas certezas pré concebidas, mas construir a jornada com o cliente”, afirma.
As ideias de Leonardo Gross têm como um dos pilares um conceito que vem ganhando espaço no mundo corporativo: o termo VUCA, sigla em inglês para volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. Cada palavra expressa um dos quatro desafios que os líderes experimentam no dia a dia em suas companhias, ainda mais naquelas que estão em processo de transformação digital.
“O primeiro ponto para criar esse ambiente de transformação digital é que todos precisam estar na mesma mesa. Ecossistema não é “egossistema”, a decisão não pode estar na mão de poucos stakeholders”, diz ele, acrescentando que a participação de todos é importante, independente do background técnico, étnico, etc
“Já foi provado que se houver mais mulheres e mais pessoas de todas as etnias, as empresas ganham mais e têm mais lucratividade. Isso está na base da inovação, a diversidade de pensamento”, afirma Leonardo Gross.
Saia da bolha para se manter relevante no mundo digital – Cultura digital não pode ser apenas um dia divertido de palestras
Segundo ele, com frequência acontece de a cultura digital ser apenas “um dia divertido de palestras na empresa”, mas sem real transformação no dia a dia depois disso.
Exemplo disso, conta ele, é quando a instalação de um software absolutamente necessário para aprimorar processos é adiado ou mesmo cancelado porque a plataforma demanda a aquisição de servidores mais potentes por parte da empresa.
“E alguém chega e diz ‘a diretoria não está pensando em expandir a nossa arquitetura tecnológica, isso não é prioridade no momento’”, lamenta Gross.
Falta diversidade cultural na mesa de decisão das empresas
Envolvido na causa identitária, Gross reconhece que a propaganda abriu as portas para o diferente, mas ele ainda se considera uma exceção quando pensa na carência de executivos negros (como foi a sua mãe, aliás) na mesa de decisão das empresas brasileiras.
“Quantas iniciativas interessantes vemos hoje em favelas e comunidades? Imagina trazer esse cara que se orgulha de onde veio, que está acostumado a lidar com a escassez, e potencializar esse cara para que ele resolva problemas reais da saúde. Porque o consumidor do SUS não está na mesa decidindo ? “, destaca Gross.
Um exemplo de determinação
Ele mesmo é um exemplo de determinação ao negar dependência financeira de sua família de classe, buscando desde cedo obter rendimentos por conta própria. “Trabalhei cedo. Fui camelô nas ruas do Rio com 14 anos. Até correr do rapa eu corri”, conta.
Para Leonardo Gross, essa abertura ao diferente faz parte de uma visão de mundo maior. Ele defende a cooperação mútua e a troca de conhecimentos para quem quer viver efetivamente a era da abundância. “Uma dica que eu dou sempre é estar disponível para receber e dar sem ver a quem”, diz.
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